Deuses e heróis
do passado, presente e futuro, diluídos em seu perfil histórico,
desmistificados, comprimidos num espaço-tempo “kitsch”,
emprestam seus poderes supremos, saltando das revistas em quadrinhos
para as telas de TV. Circulam em miniaturas, chaveiros, calendários,
cinzeiros, nomeiam bares, restaurantes, produtos de limpeza, cosméticos,
comestíveis, ou são peças de decoração,
vale-brindes, souvenirs, compondo um mosaico cultural de feições
inteiramente novas. Perderam seu texto e com ele toda a sua dramaticidade.
Travestidos em novas roupagens, suas questões metafísicas
caíram no vazio.
Quebradas as fronteiras espaciais e temporais, esses heróis
e divindades servem hoje à mística do consumo.