| “K”
absorve e manifesta ao público a essência do espírito
kafkiano, denunciando a situação do homem como vitima
de mecanismos estranhos criados pela sociedade. O personagem central
é inicialmente tratado como animal em fase de adestramento.
Em tal quadro, fica claro o triângulo edipiano que vai se
repetir sob outras formas e a presença da repressão
que se inicia a partir do berço, através da presença
dos pais que preparam o homem para o ridículo e complicado
mundo social. Uma vez integrado ao contexto do faz de conta burocrático
e cercado de pessoas nas quais as anomalias parecem naturais, o
personagem acaba devorando pela máquina do absurdo, alimentando-se
de documentos e diplomas tão desnecessários. Entre
uma fuga e outra, ele sonha com a magia da liberdade total e acaba
novamente prisioneiro entre as paredes da fria e inevitável
realidade, vitima da violência do próprio sistema.
A temática e atualíssima, mais do que nunca enfrentamos
os obstáculos de ordem social, política e burocrática,
graças aos quais todo um povo se decepcionam, frustrado em
suas esperanças mais legitimas. O elenco está homogêneo
e a presença dos músicos como integrantes
do
cenário dá ao espetáculo
um visual agradável e onírico. É um trabalho
sério de jovens vanguardistas que anseiam rasgar fronteiras
rumo à totalidade e à comunhão das artes.
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