O Grupo

K.     1984.
 
“K” absorve e manifesta ao público a essência do espírito kafkiano, denunciando a situação do homem como vitima de mecanismos estranhos criados pela sociedade. O personagem central é inicialmente tratado como animal em fase de adestramento. Em tal quadro, fica claro o triângulo edipiano que vai se repetir sob outras formas e a presença da repressão que se inicia a partir do berço, através da presença dos pais que preparam o homem para o ridículo e complicado mundo social. Uma vez integrado ao contexto do faz de conta burocrático e cercado de pessoas nas quais as anomalias parecem naturais, o personagem acaba devorando pela máquina do absurdo, alimentando-se de documentos e diplomas tão desnecessários. Entre uma fuga e outra, ele sonha com a magia da liberdade total e acaba novamente prisioneiro entre as paredes da fria e inevitável realidade, vitima da violência do próprio sistema. A temática e atualíssima, mais do que nunca enfrentamos os obstáculos de ordem social, política e burocrática, graças aos quais todo um povo se decepcionam, frustrado em suas esperanças mais legitimas. O elenco está homogêneo e a presença dos músicos como integrantes do cenário dá ao espetáculo um visual agradável e onírico. É um trabalho sério de jovens vanguardistas que anseiam rasgar fronteiras rumo à totalidade e à comunhão das artes.




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