A peça
se apóia num hai-kai- forma poética japonesa- do
poeta Matsuo Baschô. No dia sete do sétimo mês
é a festa das estrelas. Segundo a lenda, nesse dia se juntam
duas estrelas enamoradas que vivem nas margens opostas do Rio
do Céu. (Via Láctea ).
Como suporte dramático foi tomado o sexto dia, ou seja,
a espera, dentro do seu aspecto estático, sujeito no entanto
a todas interferências que venham promover a quebra a estaticidade
característica da espera em sua pureza. Assim os comportamentos
expressivos transitam entre calma, ansiedade, loucura, angústia,
explosões, comemorações antecipadas, num
jogo de múltiplas emoções, livres de um tempo
cronológico. Essas variações se manifestam
em todos os elementos que compõe o espetáculo: luz,
som, movimento, material cênico, incluindo os pequenos rituais
do cotidiano que a antecedem o momento de um encontro.
Enquanto linguagem, a peça busca a simplicidade e a concisão
que caracterizam o poema japonês numa economia intencional
do material expressivo, que mais sugere do que conta ou descreve.
Fica assim, o espaço para a sensibilidade do espectador
que passa a participar com seu próprio potencial perceptível
e criador.
Musicalmente são trabalhadas as mesmas fontes sonoras em
cena e em fita magnética, se alternando, se justapondo,
se completando em múltiplas combinações timbrísticas,
rítmicas e melódicas.