INDICAÇÕES DE TEXTOS
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BARBIES SILICLONADAS...2004
Ione de Medeiros - 19/11/ 2003
BARBIES SILICLONADAS...DE BENGALA
Antes que as Barbies originais
Enfurecidas
Se voltem contra vós
Pobres mulheres,
Siliclonadas
Passadas
Desvanecidas pelo tempo
Em vão
Desesperadas
Atrás de um brilho ideal perdido
Sucumbidas
Pelo declínio da velha robustez carnal
Pelo esfacelamento da antiga cabeleira
Que se esvaiu impiedosa em fios esparsos
Pelo nostálgico e inevitável discurso
Saído desolado de finos lábios murchos
Tristes mulheres
Diluídas
Pela opacidade dos olhos enxutos
Gastos em lágrimas lassas vertidas
Em longas noites de espera
Inúteis
Na tentativa de encontros idílicos
Fúteis
Que as tornasse
Princesas para sempre
Múmias embonecadas
Fantasmagóricas
Em busca de antigos sonhos esfumaçados
Perdidas
Na ilusão de românticas mentiras
Retóricas
Acordem
Antes que elas se apresentem
Iradas
Diante da ruína de vossas feições
Desfiguradas
Cobrando a forma ideal traída
O castelo desmoronado
Indignadas
Diante de vós
Velhas Barbies de bengala
Puxando pelas pernas e renegando a memória
Sós
Temerosas
Diante do tempo gasto no nada
Desperdiçado na paixão de causas nascidas
Esvaziadas
Falidas
Antes que tudo acabe
E que ao pó retornem
Que se permitam um lapso de
Consciência
Para que não se perpetue a ilusória realidade da
Permanência
Seja do que for
E que munidas desta
Verdade
Destruam os estigmas paralisantes
A dor e o deboche
Assim como toda série de
Fantoches
E se entreguem ao efêmero das transições profundas
Permanentes
Que as permitam mergulhar
Inocentes
Nas camadas vivas dos mistérios da vida sabendo que dela nada
vão levar
Nem tampouco , desvendar , e que ,
Falsas Ninfas Modernas
Se abandonem à imersão desmedida
Sem que naufraguem
Trôpegas
Desencantadas
Desbotadas
Como velhas fotos esmaecidas